domingo, 10 de outubro de 2010

Você só me fez mudar, mas depois mudou de mim!


Gram
Então, que não se arrependa. Da gente. Do que fomos. De tudo o que vivemos. Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos. Que termine com a sensação de ter me degustado por completo, mas como quem sai da mesa antes da sobremesa: com a impressão que poderia ter se fartado um pouco mais. E que, até o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente a nossa história, para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela história de amor da sua vida. E que uma parte de você acredite que ela foi, de fato, a mais bela história de amor da sua vida. Que você nunca mais deixe de pensar em mim quando for a Londres, escutar Dream’ Bout Me ou ler Nick Hornby. E, por fim, que você continue a dançar na sala. Para sempre.
Mesmo quando eu não estiver mais olhando.


Milly Lacombe
As pessoas seguram uma risada quase de pena. Mas se ele nem morava aqui, mas se ele não ficou mais do que uma semana com você, mas se já faz tempo que ele se foi, sem nunca ter sido. Então o quê? Nem eu sei. Mas sei da minha enxaqueca que já dura uma semana. Latejando sem parar. O coração que subiu nos meus ouvidos. Gritando que sente falta e pronto. Eu sinto falta de ligar o celular, depois do avião aterrissar, e ter uma mensagem sua dizendo que vai dar tudo certo. E sorrir mesmo estando numa fila gigantesca para o táxi, embaixo daqueles 78 graus do Rio de Janeiro. Não tem poesia nem palavra difícil e nem construção sofisticada. O amor é simples como sorrir numa droga de fila. E não se sentir mais sozinho e nem esperando e nem desesperado e nem morrendo e nem com tanto medo. Eu sinto falta de querer fazer amigos em qualquer festa, só pra conhecer gente estranha e te contar depois. Agora, eu fico pelos cantos das festas. Voltei a achar todo mundo feio e bobo e sem nada a dizer. Porque eu acho que estava gostando mais das pessoas só porque te via em tudo. Agora as pessoas voltaram a me irritar. E eu voltei a ter que fazer muita força pra sair de casa.

(...)
Quando vai dando assim, tipo umas onze da noite, o horário que a gente se procurava só pra saber que dá pra terminar o dia sentindo algum conforto. Quando vai chegando esse horário, eu nem sei. É tão estranho ter algo pra fugir de tudo e, de repente, precisar principalmente fugir desse algo. E daí se vai pra onde?
Tati Bernardi
Mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria. Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.


*

Ana Jácomo

Sou franca e falo o que penso, deve ser por isso que vivo com os joelhos roxos. A gente cai muito quando tem a sinceridade correndo nas veias.


Por tudo que há de mau no mundo, eu mereço o máximo do bom.
Sem culpa. CFA



Chorei todos os meus amores que acabaram,
todas as portas que eu deixei entreabertas
(porque sou péssima em fechá-las)
e que se fecharam pela vida.
Enfim chorei o fim de tudo,
assim é a vida, uma morte a cada dia.
Depois, como sempre,
limpei o rosto e continuei.

T.B



Já conheço os passos dessa estrada...



E, mesmo assim, estarei sempre pronto para esquecer aqueles que me levaram a um abismo. E mais uma vez amarei. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida.
Vou colecionar mais um soneto, outro retrato em branco e preto a maltratar meu coração.

O que eu tenho, afinal?



Saudades. Eu tenho saudades.



F.Y





Dor chega em todas as formas possíveis. Uma dorzinha aguda, um pouquinho de depressão, a dor aleatória com que convivemos todos os dias. Então tem o tipo de dor que você simplesmente não consegue ignorar, um nível tão grande de dor que bloqueia todo o resto, faz com o que o mundo inteiro desapareça até que a gente só consiga pensar que o tanto que machucamos e a maneira com que lidamos com a dor é totalmente pessoal. Nós anestesiamos, sobrevivemos a ela, ou a abraçamos, ou ignoramos. Para alguns de nós, a melhor maneira de lidar com ela é atravessando-a.
A dor. Você só tem que sobreviver a ela, esperar que ela vá embora sozinha, esperar que a ferida que a causou, sare. Não há soluções, respostas fáceis. Você só respira fundo e espera que ela vá diminuindo. Na maior parte do tempo, a dor pode ser administrada, mas às vezes ela te pega quando você menos espera, te acerta abaixo da cintura e não te deixa levantar. Você tem que lutar através da dor, porque a verdade é que você não consegue escapar dela e a vida sempre te causa mais.

G.A


E eu sei o quanto vai ser cansativo correr da dor.
O quanto vai ser falso eu ignorar ela aqui no meu peito.
Mas vou correr até a minha última esquina.
Cansei de morrer na vida das pessoas.
C.L



É uma benção inestimável receber amor. Mas quando a gente dói, precisa cuidar da própria dor com o carinho com que gostaríamos de ser cuidados pelos outros. Com a atenção e a suavidade com que tantas vezes cuidamos de outras vidas.
Os beijos bons precisam começar em nós.

Como quando se tira um vestido velho do baú, um vestido que não é para usar, só para olhar. Só para ver como ele era. Depois a gente dobra de novo e guarda mas não se cogitaem jogar fora ou dar.

Acho que saudade é isso.


Lygia Fagundes Telles


Ele partiu sem nenhuma dor. Ela fechou a porta e sua vida continuou de onde estava. Pela primeira vez, ela fechava aquela porta sem sentar na escada e chorar por ele ter ido embora pra sempre. Pela primeira vez, ele saiu sem que ela o observasse partir com o coração apertado. Pela primeira vez, ele foi embora sem deixar uma gotinha de esperança de que ela pudesse tê-lo de volta na vida dela. Pela primeira vez, ele partiu sem que eles tivessem trocado mais do que um abraço apertado. Pela primeira vez, ele se foi sem que eles tivessem remexido o passado ou chorado porque alguma coisa não deu certo entre eles. Pela primeira vez, ele foi embora de verdade. Pela última vez, ele foi embora.


Brena Braz


Passa, sim...


Inconscientemente, parecia querer buscar em autores, filmes e músicas, algum tipo de consolo. Como se alguém precisasse chegar bem perto do sofá, onde estava, colocar um das mãos em seu ombro e dizer que aquilo era normal.
Que acontecia também com outras pessoas.
E que iria passar.


Caio F. Abreu
Caio, sempre diz que vai passar. E no fundo eu acredito que passa, sim. Um dia tudo isso passa.


Nada em mim foi covarde,
nem mesmo as desistências:
desistir, ainda que não pareça,
foi meu grande gesto de coragem.

Caio F. Abreu

Nós também fazemos diferença para muita gente. Não estamos isolados nos nossos corpos como muitas vezes sentimos ou, por medo, talvez preferíssemos. Nossos gestos afetam outras tantas pessoas, conhecidas ou não. Fazemos parte de uma rede tecida por fios sutis de interdependência. Agora, neste instante, existem vidas sendo tocadas, de formas até inimagináveis, pela sua, pela minha. Toda vida é muita vida: ela e tudo o que abraça com os seus longos braços de energia. Se fazemos diferença, que seja com amor. É ele, sempre ele, que faz a diferença mais linda.


Ana Jácomo


Mesmo assim eu não esquecia dele. Em parte porque seria impossível esquecê-lo, em parte também, principalmente, porque não desejava isso. É verdade, eu o amava. Não com esse amor de carne, de querer tocá-lo e possuí-lo e saber coisas de dentro dele. Era um amor diferente, quase assim feito uma segurança de sabê-lo sempre ali.

Caio F.


Mas sempre, sempre, cinco minutos depois, tudo passa. Nunca menos e raramente mais do que isso, cinco minutos, e tudo vai embora porque é assim, as coisas têm que passar, os dias têm que mudar, os ares têm de ser novos e a vida continua, com ou sem qualquer um.

Caio F. Abreu.
-Às vezes sinto falta de mim.
-Eu também, menina.
-Sente falta de si?
-Não, de você. E dói.

*

Caio F.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

"O castelo nos pirineus"

domingo, 26 de setembro de 2010

Ela ri. Chora quando dói. Chora quando não dói. Acha o mundo ridículo e feliz. É menina que quer viver para sempre com o príncipe num castelo lá no alto da torre, num mundo cor-de-rosa, permeado de estradas floridas, borboletas e pássaros. É mulher. É filha. É irmã. E nesse posto é séria, paga contas e traça metas. Ela é feita de sonhos adiados e esperanças dilaceradas. Já viveu doces e amargos anos que deixaram dentro dela cicatrizes profundas, feridas abertas e lágrimas contidas. Já gritou de alegria. E de dor. Já quis fugir, morrer e já quis que o mundo parasse naquele momento em que tudo era arco-íris. Já levitou por entre nuvens. Já chafurdou na lama. E de lá, enxergou um fio de luz e se agarrou nele com tanta força que conseguiu, a muito custo, se desvencilhar do lodo. E se transformou novamente numa menina cor-de rosa. É absurdamente alegre e estranhamente triste. Dramática, insatisfeita,mimada, carente. Escreve escondido, faz manha, toma sorvete no pote, adora dadinho porque a faz lembrar do pai. Ama fotografia e rosas vermelhas pelo mesmo motivo. Canta desafinado alegres canções da infância. Ama Chico Buarque. E Vinícius. E Pessoa. E Clarice. E.. E.. Sente poesia por todos os poros. Sente poesia em tudo o que vê. Acha lindo a luz do sol que entra pela janela, o canto dos passarinhos ao nascer do dia. Acha lindo borboleta colorida voando em cima da flor. Adora gesto de carinho, mas morre de vergonha de receber elogio. Adora meias, canetas e luzinhas coloridas (o sonho dela era poder pintar de alegria todo o branco e preto do mundo). Adora água. E frio. Adora observar as pessoas e tentar ver nelas o bem (tem um lado Pollyana que insiste em sobreviver, apesar de tudo). Já enganou. Já foi enganada. É dramática, intensa, transitória, forte e frágil, na mesma (e incrível) proporção. Ela quer demais, exige demais, principalmente de si mesma, e por isso, muitas vezes, se frustra. Fala o que pensa, não faz jogo social e por isso mesmo, tem poucos, mas verdadeiros amigos. Ela é companhia, mas também é solidão, tranquilidade e inconstância, pedra e coração. Ela é feita de dúvida e certeza, esperança e medo, desejo e apatia, trabalho e indolência. Gosta de gente que sonha, que ri e que sente, mas que sente verdadeiramente, que se emociona com coisas simples : uma canção suave, um bom filme, um bom livro, uma palavra de carinho.Gosta das entrelinhas, das reticências, mas detesta ponto final. Ultimamente tem trabalhado muito e amado muito, muito e muito. Pensando bem, ela é só uma menina feita de lua, com fome de sol, e que voltou a ver estrelas...