sexta-feira, 27 de agosto de 2010

"Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras.
Sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calma e perdôo logo.
Não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me lembre."

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A: Dói.
silêncio
A: Digo, doía.
B: Ah.
silêncio
B: Tudo bem se doer.
A: Não dói mais. Passou.

A: Amo.
A: Não, na realidade, amava.
B: Ah. Sei.
silêncio
A: Sabe?
B: Sim, se você diz eu acredito.
silêncio
A: É sério que você está acreditando?
B: Sim.
A: Ah. Tá.

B: Quero começar o ano de novo.
A: Por quê?
B: Porque não tenho do que lembrar.
A: Ah.
silêncio
A: Você tem eles.
B: Eles?
A: É.
B: Ah.
silêncio
B: Tanto faz.

B: Tenho sentimentos de sentimentos.
A: É, eu sei.
silêncio
A: Eu também.
B: Isso passa?
A: Hm, passa?
B: Não sei, foi uma pergunta.
A: Não, não passa.
silêncio
A: Ou passa. Só que ainda não passou.
silêncio
B: Mas passa…?
A: Passa.

A: Quer um cigarro?
B: Não. Você não tinha parado?
A: Parei três vezes nessa semana.
B: Ah.
silêncio
B: Parou com o que?
A: De amá-lo.
silêncio
A: Não, de fumar.
B: Voltou por quê?
A: Porque sem ele, me sinto mal. Minhas pernas tremem e tal. Não é confortável. Com ele fica mais fácil.
B: Mais fácil o que?
silêncio
A: Não sei.
silêncio
B: Estamos falando do que?
A: Parar.
B: Do quê?
A: Parar.

B: Parar de amá-lo?
A: Também. Parar de fumar.
B: E a falta?
A: Coexiste.
silêncio

B: Não vai parar?
A: Do que?
B: Do que você acha?
A: De amar ou de fumar?
silêncio
A: Tanto faz. Mata igual.
silêncio

B: Você vai morrer?
A: Já morri.
B: Quando?
A: Semana passada.
silêncio
B: Doeu?
A: Não. Dói agora.

B: E sua vida?
A: O que tem ela?
B: Não sente falta?
A: Você sente falta?
B: Do que?
A: De fumar.
B: Não. Nunca fumei.
A: Exato.
silêncio
B: Ah. Entendi.
A: O que?
B: Como você se sente.
A: Rá. Longe disso.

B: E agora?
A: “E agora” o quê?
B: Vai fazer o que?
A: Se eu soubesse não estaria parada.
B: Estaria?
A: Não.

A: Por que ele não fala comigo?
B: Não sei.
A: Eu sou chata.
B: Talvez ele não tenha o que dizer.
A: É.
silêncio
A: Talvez.
Silêncio
A: Ou só não queira.
B: Talvez. Não sei.

A: Como seria?
B: O que?
A: Se estivéssemos juntos?
B: Ele falaria com você.
A: Eu sei. Mas não isso.
B: O que então?
A: Tudo.
B: Isso depende dele.
silêncio

B: Acho que se vocês ainda estivessem juntos, vocês não estariam mais juntos.
silêncio
B: Não sei se faz sentido.
silêncio
A: Acho que faz.
silêncio
A: Acho que concordo.
silêncio
A: Mas por quê?
B: Talvez seja seu jeito.

A: Ele pensa nisso.
B: Pensa?
A: Sim. Ele me falou.
silêncio
B: Pensa… em vocês?
A: É. Mas não falou o que.

B: Você vai fazer o que?
A: Já disse que não sei.
silêncio
B: Vai passar?
silêncio
Your suffering will free you (Shamaya)

sábado, 10 de julho de 2010

“Sempre queremos o que não podemos ter, mas tenho que tentar. Vou juntar cada
pouco de confiança que eu tiver. Por você, eu vou."
"A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te
garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo
de curativo pras feridas antigas? Porque amar também é isso, não? Dar o
seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique
bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém
que venha te curar. As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não."

domingo, 30 de maio de 2010

"Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas... Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor."

segunda-feira, 24 de maio de 2010

"Na minha memória - tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos"